Menos horas de trabalho por semana: é possível?

Se você tem um emprego formal, é provável que trabalhe oito horas por dia, de segunda a sexta-feira. Isso teoricamente, porque é comum esta jornada ser extrapolada por muitos profissionais, que acabam passando muito mais tempo no escritório do que o horário “padrão”.

No entanto, vários estudos têm frequentemente apontado que não há vantagens em passar tanto tempo no escritório, uma vez que jornadas longas podem contribuir para profissionais mais infelizes e improdutivos. Já imaginou, então, passar muito menos tempo na frente do computador? Em um esforço de melhorar o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, empresas e governos ao redor do mundo estão experimentando encurtar o número de horas trabalhadas.

Esse é um movimento que atrai grande interesse – um recente teste na Nova Zelândia gerou manchetes internacionais após cortar a semana de trabalho de cinco para quatro dias. Por duas semanas, a companhia pediu a seus 240 profissionais que fizessem a jornada diária de 8 horas por quatro dias em vez de cinco (eles continuaram a ser pagos por cinco dias).

Pesquisadores da Universidade de Auckland e da Universidade de Tecnologia de Auckland posteriormente entrevistaram os empregados. O resultado: 24% disseram que o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal melhorou e 7% notaram uma redução do estresse. Enquanto isso, os cargos de chefia não registraram redução em produtividade.

E por que não podemos trabalhar três, dois ou até metade de um dia por semana? Será que existe um ponto ótimo em que a redução das horas de trabalho ainda compensa financeiramente? Segundo uma grande publicação internacional, Esse tipo de experimento não está sendo realizado apenas no sul do Pacífico. Em 2016, a cidade de Reykjavik, na Islândia, divulgou os resultados de um estudo com duração de um ano que cortou metade de um dia de trabalho por semana de empregados de tempo integral em alguns escritórios municipais. O experimento mostrou que tanto os custos quanto a produtividade continuaram os mesmos, mesmo com menos tempo tendo sido passado no escritório.

A Suécia fez algo parecido, com testes envolvendo vários empregadores, desde startups a asilos. Svartedalen, uma instituição de cuidados a idosos, foi além e instituiu a semana de trabalho de 32 horas. Já no Japão, onde há uma palavra específica para “morte por trabalhar em excesso”, o governo introduziu uma medida chamada “segundas brilhantes”, nas quais as empresas podem dar aos empregados a oportunidade de chegar mais tarde no trabalho uma segunda-feira por mês.

Melhorar o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho acaba poupando dinheiro das companhias porque empregados mais felizes têm menos chances de pedirem demissão, segundo pesquisadores da Universidade de Oxford. Em pesquisas, eles descobriram que esse equilíbrio é uma das maiores prioridades para a satisfação com a vida e fica na frente inclusive do quanto as pessoas consideram seus empregos interessantes.

Embora tudo isto seja animador, os especialistas ainda têm dúvidas sobre a eficiência de um novo esquema de horas de trabalho. Há um ponto de inflexão em que os custos começam a ultrapassar os benefícios, até em jornadas de quatro dias. As empresas que fizeram experimentos em relação a isso não viram apenas vantagens no encurtamento das horas trabalhadas e algumas particularidades, como o atendimento aos clientes e a comunicação entre a equipe, poderiam ter sido prejudicadas.

Com os debates iniciados, provavelmente podemos esperar mais tentativas de implementar jornadas mais curtas em indústrias onde isso é possível: mais dias para folga e menos dias para dar conta das tarefas com eficiência máxima. E você, acha possível adaptar a sua rotina de trabalho para menos horas na semana?

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