Altas doses de otimismo podem prejudicar

O poder do pensamento positivo tem sido um princípio de líderes do mundo dos negócios ao menos desde 1936, quando Napoleon Hill publicou Quem Pensa Enriquece, com a “receita” do sucesso de alguns dos mais bem-sucedidos empresários de sua geração. Duas décadas depois, Norman Vincent Peale escreveu O Poder do Pensamento Positivo e,  mais recentemente, O Segredo, de Rhonda Byrne, foi adotado como uma espécie de Bíblia por homens de negócios, com sua promessa de sucesso baseada no otimismo.

Segundo essas obras, dúvidas e pensamentos negativos são obstáculos para o sucesso. Mas, na realidade, uma nova leva de pesquisas está descobrindo que o pensamento positivo também tem suas limitações e armam suas próprias ciladas. Ou seja, o otimismo pode emperrar o sucesso.

Professores de Psicologia da Universidade de Nova York descobriram que os níveis de energia caem quando as pessoas mentalizam fantasias positivas sobre o futuro, como ter um bom emprego ou ganhar bem. O problema é que quando elas fantasiam sobre seus objetivos, frequentemente não fazem o esforço necessário para atingi-los.

O estudo realizado pelos especialistas revelou que jovens que pensavam positivamente sobre ter um bom emprego, dois anos após deixar a universidade, acabavam ganhando menos e tendo menores chances de contratação do que colegas com mais dúvidas e preocupações. Os mais otimistas também se candidatavam a menos vagas do que os pessimistas. Eles criam uma fantasia e já se sentem realizados e relaxados, perdendo a motivação necessária para que as coisas de fato aconteçam.

O mesmo acontece com os empreendedores e o otimismo pode atrapalhar em vez de ajudar quem tenta abrir o próprio negócio. É o que sugere um estudo realizado no Reino Unido que identificou que os que reportam otimismo acima da média obtêm resultados piores do que aqueles com visões mais realistas ou pessimistas. 

Produzido por pesquisadores da Universidade de Bath, da London School of Economics and Political Science e da Universidade de Cardiff, o estudo incluiu dados de 12 mil pessoas, coletados ao longo de 18 anos, e foi publicado na European Economic Review. A base para a pesquisa foi um levantamento chamado “British Household Panel Survey”, que consulta moradores anualmente sobre diversos assuntos, entre eles forma de emprego e rendimento. 

Os pesquisadores usaram como medida de otimismo uma pergunta que pede para os respondentes estimarem seu futuro financeiro. Aqueles que fizeram projeções de futuro ambiciosas demais – chamados de otimistas “acima da média” pelos autores – obtiveram resultados financeiros 30% menores do que os empreendedores que demonstraram otimismo abaixo da média. Entre profissionais empregados, o resultado foi inverso, otimistas obtiveram mais sucesso financeiro.

Para os especialistas da escola de negócios da Universidade de Bath, embora o pessimismo não seja visto como um traço desejável, ele oferece uma certa proteção contra a chance de embarcar em projetos ruins. Segundo eles, como sociedade celebramos o otimismo e pensamento empreendedor, mas quando os dois se unem, vale a pena tomar uma dose de realidade.

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