A contratação de idosos pode ajudar a economia

Recentemente a discussão em torno da reforma previdenciária no Brasil chamou a atenção para o envelhecimento da população. Em apenas 13 anos, o País terá mais idosos do que jovens, marcando o ponto de virada da pirâmide etária. Além disso, segundo projeções, a quantidade de  pessoas mais velhas irá triplicar em 2050, alcançando quase 30%. Uma década antes, em 2040, aproximadamente 57% da população em idade ativa será composta de indivíduos com mais de 45 anos de idade.

Este cenário demanda mudanças nas políticas públicas em todas as áreas – saúde, previdência social, etc – mas também no mercado de trabalho. Especialistas acreditam que, para compensar o custo maior atrelado à longevidade, os profissionais mais velhos deveriam ser estimulados a se manter na ativa. Para isso, as organizações precisariam ter modelos de trabalho adaptados.

Uma das principais consultorias do País defende que, com mais gente trabalhando por mais tempo, o Brasil teria um incremento do PIB (Produto Interno Bruto), que resultaria em aumento do poder de compra desta faixa etária e nas receitas com impostos, além do fato de que os idosos se manteriam ativos mental e fisicamente.

Para sustentar esta tese, foi realizada uma pesquisa para mensurar o impacto do envelhecimento da força de trabalho no Brasil, comparando o País com referências internacionais na questão. A Suécia é o melhor exemplo de empregabilidade de pessoas mais velhas, tanto por suas políticas públicas quanto pelas práticas de mercado. A taxa de profissionais com idade entre 55 e 64 anos empregados por lá é de 66%, acima da média de 44% da Europa. No Brasil, o nível de ocupação dos idosos em 2015 era de 26%.

A crise que o Brasil atravessa é um dos motivos pelos quais ainda temos um longo caminho para alcançar o patamar equivalente ao da Suécia. Com milhões de desempregados, muitas empresas trocaram profissionais experientes, que custam caro, por jovens com salários menores. Estatísticas dão conta de que profissionais acima de 50 anos ganham, em média, 30% mais do que aqueles com 30 a 49 anos.

Outro impeditivo é a questão das políticas públicas: ao contrário da Suécia, no Brasil os impostos não garante a gratuidade dos serviços, o que reflete no graus de escolaridade da população, por exemplo. Para ter uma ideia, 65,5% dos idosos empregados no país em 2015 tinham como nível de instrução o ensino fundamental incompleto, o que impossibilita uma inserção em postos de trabalho que exigem melhor qualificação.

Questões trabalhistas também dificultam a colocação dos idosos no mercado de trabalho. A falta de flexibilidade de horários e o fato de uma empresa não poder recontratar um funcionário com um salário menor, para trabalhar menos horas, acaba restringindo as opções. Em relação a isso, pelo menos, pode haver uma solução, já que um projeto de lei propõe um regime especial de trabalho para pessoas com mais de 60 anos, que teriam uma jornada diária de quatro horas.

Muitas empresas ainda não percebem a escassez do profissional jovem, apesar da iminente inversão da pirâmide demográfica, e os argumentos para não apostar nos talentos maduros acabam esbarrando na questão dos salários e na da falta do perfil desejado. Mas muitas organizações já fazem algum movimento para se preparar para este cenário. Para os empregadores, os profissionais maduros têm mais inteligência emocional e experiência com relação à estratégia. Em contrapartida, têm menos aptidão para novas tecnologias. Muitos acreditam que os prós são maiores do que os contras, mas a verdade é que ainda temos barreiras culturais a ser rompidas.

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MSA RH aborda no blog assuntos de interesse do mercado de trabalho e procura divulgar informações relevantes para os leitores, englobando temas do ambiente corporativo, como carreira, negócios e recursos humanos. É importante frisar que todos os dados e pesquisas apresentados neste espaço são de responsabilidade de fontes confiáveis, como institutos de pesquisa e veículos de comunicação de reconhecimento nacional e internacional.

O objetivo é, portanto, traçar um panorama imparcial sobre o universo profissional e gerar discussões sobre temas atuais e essenciais não só a quem vivencia o meio de RH, como a todos os profissionais brasileiros. Seja bem-vindo e contribua sempre com seus comentários, opiniões e sugestões!

 

 

 

 

 

 

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2 thoughts on “A contratação de idosos pode ajudar a economia

  1. A terceira idade é uma questão internacional muito complexa. Em muitos países asiáticos tidos como de alta tecnologia, não existem políticas claras quanto aos direitos da população idosa nem como atuar neste cenário. No Japão, cresce uma profissão um tanto incomum: pessoas recebem pagamento para limpar e esvaziar apartamentos. Até então nenhuma novidade. A questão é que hoje no país morrem mais idosos sozinhos, o que tem causado transtornos econômicos e sociais ao país. Por isso, ao perceber que o idoso sumiu de circulação, esse profissional é chamado para abrir o apartamento e em caso de morte do idoso, já se decompondo a dias, esse profissional remove tudo: todos os bens e patrimônios são descartados, toda pintura e piso é refeito e então esse profissional libera para venda ou locação. Na Coreia do Sul, como ainda não havia legislação para benefício (aposentadoria) aos seus idosos, é muito comum encontrar uma multidão de idosos morando nas estações do metrô. Já em algumas cidades da Itália, Japão e outras cidades europeias, além do envelhecimento da população tem o problema da taxa de natalidade que é muito baixa. Em muitas regiões existem estimativas de desaparecimento completo da cidade por falta de novos nascimentos. A verdade é que é um problema mundial que nenhum país ainda sabe como lidar e como financiar, incluindo aí a própria Suécia que também tem uma taxa de natalidade baixa. No entanto, abrem-se tantas oportunidades para explorar, mas no país faltam recursos para investimento nesse nicho de mercado. Parabéns pela excelente matéria.

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