Conselhos de administração nos tempos de incerteza

Ter especialistas com profundo conhecimento do setor de atuação da empresa no conselho de administração é uma meta buscada por muitas companhias. Um novo estudo aponta, no entanto, que há situações em que uma presença grande demais desses profissionais pode impactar negativamente o desempenho da organização.

Foram analisados dados de mais de 1.300 bancos americanos comunitários e, na amostra, havia conselhos compostos majoritariamente por especialistas em mercado financeiro, como vice-presidentes ou executivos-chefes de bancos, e outros que combinavam esses experts com profissionais  com experiência em outras áreas, como direito, medicina ou o setor público. Para o estudo, publicado na “Academy of Management Journal”, pesquisadores compararam o desempenho dos bancos em diversas situações. Em condições normais de mercado, não houve distinção entre aqueles com o conselho composto principalmente por especialistas e aqueles com “boards” mais diversificados.

Durante períodos de incerteza, no entanto, como fases de crescimento acelerado em um mercado novo ou durante processos de transformação na base de clientes, os bancos com o conselho mais diverso apresentaram mais sucesso. Quanto mais especialistas em bancos os conselhos tinham, maior sua chance de fracasso. Por outro lado, mesmo nos conselhos mais diversificados, em média 20% dos executivos tinham conhecimento da área.

Os autores destacam três razões para os resultados, que surgiram durante entrevistas com conselheiros e CEOs do setor realizadas para o estudo. Profissionais com profundo conhecimento e experiência em um setor tendem a ser menos flexíveis e dispostos a mudar sua maneira de pensar, fator importante durante períodos de transformação. “Muitos dos executivos entrevistados enfatizaram a ‘bagagem’ que os especialistas trazem para o conselho”, escrevem os autores em um artigo para a “Harvard Business Review”. Nela, um CEO explicou, muitas vezes vêm hábitos de outras instituições que nem sempre são benéficos para o trabalho no conselho.

Outro fator é o excesso de confiança, que pode levar a decisões menos informadas, uma vez que conselheiros não especialistas tendem a ser mais céticos e exigirem mais dados antes de decidir. Além da falta de divergência que todos esses pontos geram dentro do colegiado. Ter profissionais com pontos de vista e opiniões conflitantes gera um ambiente mais propenso a debates, o que leva o conselho a explorar alternativas novas, dizem os autores. “Ter uma proporção alta de especialistas no setor da empresa pode suprimir isso porque os outros conselheiros podem se submeter ao julgamento deles”, dizem.

Fonte: Valor Econômico

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